“O talento qualificado desapareceu.” É uma frase que se ouve cada vez mais nos departamentos de Recursos Humanos, mas será mesmo verdade?

No segundo episódio do videocast “Chief Talent Officer Cast” da NCN, convidamos Isabel Moço, Pedro Empis, da Randstad, e Miguel Tolentino, da SONAE, para desconstruir esta ideia e perceber o que está realmente a acontecer nos processos de recrutamento portugueses.

A conversa começa por um diagnóstico incómodo: muitas vezes o problema não é a falta de candidatos, mas processos de recrutamento desenhados para uma realidade que já não existe. Anúncios genéricos, canais saturados de candidaturas pouco qualificadas e critérios de seleção rígidos que afastam pessoas com potencial para a função.

 

Processos de recrutamento desajustados e canais saturados

Pedro Empis traz a perspetiva de quem gere recrutamento em grande escala na Randstad e descreve como muitas empresas continuam a publicar vagas nos mesmos três ou quatro canais, à espera de resultados diferentes.

Quando a oferta de talento nesses canais se esgota, a solução raramente passa por mudar de canal. Passa por rever todo o funil, desde a forma como a vaga é escrita até ao tempo que a empresa demora a dar uma resposta.

Miguel Tolentino traz a este debate a visão de uma empresa com a dimensão da SONAE, onde a escala do recrutamento torna ainda mais evidente o custo de processos lentos ou pouco direcionados. Cada semana de atraso numa contratação tem um preço, tanto em produtividade como em oportunidades perdidas para captar os melhores perfis antes da concorrência.

 

A dificuldade em avaliar soft skills

Outro tema central do episódio é a dificuldade em avaliar competências comportamentais durante o processo de seleção.

As entrevistas tradicionais continuam a privilegiar quem se apresenta bem numa conversa de trinta minutos, o que nem sempre reflete a forma como essa pessoa vai desempenhar a função no dia a dia.

Isabel Moço partilha exemplos concretos de como algumas empresas têm vindo a testar novas metodologias de avaliação, com resultados mais fiáveis do que a entrevista clássica.

 

Alargar a base de recrutamento faz mesmo diferença?

A conversa aponta para uma conclusão clara: continuar a pescar no mesmo lago vai produzir sempre os mesmos resultados. Alargar as fontes de recrutamento, olhar para perfis em requalificação e considerar candidatos vindos de percursos menos convencionais são caminhos que vários especialistas defendem como parte da solução.

É exatamente aqui que entra o papel da NCN, ao ligar empresas a novas fontes de talento e a pessoas que estão a requalificar-se para responder às necessidades reais do mercado. Em vez de competir pelos mesmos candidatos, a proposta é aumentar o número de pessoas qualificadas disponíveis para as funções que faltam preencher.

 

Onde ver e ouvir o episódio

Se é responsável por recrutamento e sente que os processos atuais já não dão as respostas certas, este episódio ajuda a perceber onde procurar as verdadeiras causas do problema, antes de procurar soluções.

Pode ouvir o segundo episódio completo do Chief Talent Officer Cast no YouTube e no Spotify.

 

Há empresas portuguesas com dezenas de posições em aberto há meses. Ao mesmo tempo, milhares de pessoas continuam à procura de emprego.

Este desencontro entre oferta e procura de talento é o tema do primeiro episódio do videocast “Chief Talent Officer Cast” da NCN, dedicado a quem vive todos os dias os desafios da contratação.

No episódio “Mind the Gap: oferta e procura de talento”, juntámos três vozes que olham para este problema a partir de ângulos diferentes: Pedro Santa Clara, da Escola 42, Miguel Mota Freitas, da Fundação Belmiro de Azevedo, e Luz Pessoa e Costa, do IEFP.

A conversa mostra que o desfasamento entre o que as empresas precisam e o que o mercado oferece já não é uma exceção pontual. Tornou-se um padrão estrutural que atravessa setores tão diferentes como a tecnologia, a indústria e os serviços.

 

Profissões emergentes e o ritmo da mudança

Um dos pontos centrais do episódio é o constante surgimento de novas funções que não existiam há cinco ou dez anos. Áreas como a inteligência artificial, a cibersegurança e a análise de dados criam uma procura que as formações tradicionais demoram a acompanhar.

O resultado é visível nas empresas: perfis técnicos altamente disputados e processos de recrutamento que se arrastam durante meses sem sucesso.

Pedro Santa Clara traz para a conversa a experiência da Escola 42, um modelo de ensino que forma programadores sem propinas e sem aulas tradicionais, que aposta na aprendizagem entre pares e na resolução prática de problemas.

É um exemplo de como formatos alternativos de formação podem responder mais depressa a necessidades que o sistema educativo convencional ainda não cobre.

 

O impacto real nas empresas

A escassez de talento em Portugal, e no mundo em geral, não se tornou apenas num incómodo estatístico, está a ter consequências diretas na capacidade de crescimento das organizações, nomeadamente projetos adiados, equipas sobrecarregadas e perda de competitividade face a mercados onde a contratação é mais rápida.

Miguel Mota Freitas partilha dados da Fundação Belmiro de Azevedo que ajudam a dimensionar este impacto e a perceber onde as lacunas são mais críticas no mercado de trabalho português.

 

Reskilling 4 Employment: um modelo colaborativo

Uma parte importante da conversa foca-se em iniciativas como o Reskilling 4 Employment (R4E), que junta empresas, entidades formadoras e organismos públicos para requalificar pessoas em função das necessidades reais do mercado.

Luz Pessoa e Costa, do IEFP, explica como este tipo de modelo colaborativo pode funcionar como resposta concreta à escassez de talento, ligando quem procura trabalho a competências que as empresas efetivamente procuram.

Este é também o papel que a NCN assume neste ecossistema: ajudar empresas a encontrar novas fontes de talento e apoiar pessoas na requalificação.

 

Onde ver e ouvir o episódio?

Se lidera equipas de recrutamento ou quer perceber como preparar a sua empresa para os próximos anos, este é o ponto de partida da série. O primeiro episódio do Chief Talent Officer Cast está disponível no YouTube e no Spotify.

Nos próximos episódios do CTO Cast são aprofundados os desafios concretos das empresas na procura por talento qualificado e o verdadeiro papel do reskilling em Portugal.