• A gestão de carreira deixou de ser um percurso linear e passou a exigir decisões contínuas ao longo do tempo.
  • Perceber competências, explorar opções e usar dados do mercado ajuda a tomar decisões mais informadas e realistas.
  • A formação e ferramentas como a NCN permitem alinhar escolhas profissionais com oportunidades de evolução.

 

Durante muito tempo, a carreira profissional seguia uma lógica bastante simples: escolhia-se uma área, começava-se a trabalhar e, em muitos casos, mantinha-se o mesmo percurso durante anos (se não a vida toda!). Hoje, esta “fórmula” já não é assim tão linear.

As profissões mudam, surgem novas áreas, outras perdem relevância e as competências exigidas vão-se alterando mais depressa do que antes. Ao mesmo tempo, é cada vez mais comum mudar de função, de setor ou até de carreira ao longo da vida.

Isto faz com que as decisões profissionais deixem de ser uma escolha única no início e passem a ser algo contínuo.

É aqui que a gestão de carreira ativa ganha importância. Não se trata de ter um plano para a vida inteira, mas sim de saber como tomar melhores decisões ao longo do caminho.

Saiba o que significa gerir a sua carreira e como pode fazer escolhas mais informadas sobre o seu futuro profissional.

 

O que é gestão de carreira?

De forma simples, a gestão de carreira envolve todas as decisões que vão sendo tomadas ao longo do percurso profissional: que formação fazer, que competências desenvolver, quando mudar de área, como evoluir dentro de uma função ou que oportunidades aceitar.

Mais do que pensar apenas na próxima promoção ou no próximo emprego, gerir a carreira significa olhar para o percurso profissional de forma estratégica. Implica perceber onde se está, onde se quer chegar e que passos são necessários para aproximar esses dois pontos. Essa gestão pode partir do próprio colaborador, mas também deve ser apoiada pelas empresas, através de formação, feedback, planos de desenvolvimento e oportunidades de mobilidade interna.

Por exemplo, imagine um colaborador que trabalha há vários anos na área administrativa e começa a demonstrar interesse por análise de dados. A gestão de carreira pode passar por identificar essa motivação, perceber que competências ainda precisa de desenvolver, como Excel avançado, Power BI ou interpretação de indicadores, e criar um plano gradual de evolução. Esse plano pode incluir formação, participação em projetos internos com dados e, mais tarde, uma transição para uma função mais analítica dentro da empresa.

 

Erros mais comuns na gestão de carreira

Estes são alguns erros mais comuns na gestão de carreira:

  • Escolher uma área apenas pelo salário. O salário é importante, mas escolher uma carreira apenas com base nisso pode levar a insatisfação a curto prazo ou mesmo à estagnação mais à frente.
  • Não atualizar competências ao longo do tempo. Competências que eram suficientes há 10 anos (ou até menos) podem já não ser competitivas hoje. Por isso, atualizar-se através de formação é fundamental.
  • Não perceber como o mercado está a evoluir. Ignorar as tendências pode levar a escolhas em áreas com pouca procura ou crescimento limitado.
  • Falta de planeamento a médio prazo. Muitas decisões são tomadas de forma reativa, sem uma visão de evolução profissional.
  • Não explorar alternativas antes de decidir. Muitas pessoas escolhem um caminho sem comparar outras opções possíveis.

 

Como fazer uma boa gestão de carreira

A gestão de carreira passa por perceber onde está hoje, para onde quer evoluir e que passos concretos precisa de dar para lá chegar. Não se trata apenas de escolher uma formação ou procurar uma nova função, mas de construir um percurso mais consciente, alinhado com as suas competências, interesses e oportunidades do mercado.

 

1. Identifique as suas competências reais

O primeiro passo é olhar para além do cargo que ocupa e perceber que competências usa no dia a dia. Muitas vezes, uma função esconde capacidades que podem ser aplicadas noutros contextos. Por exemplo, alguém que trabalha em atendimento ao cliente pode ter competências fortes em comunicação, gestão de conflitos, organização e resolução de problemas — capacidades valorizadas em áreas como vendas, marketing, recursos humanos ou gestão de equipas.

Para tornar esta análise mais prática, liste as tarefas que realiza com frequência, as situações em que costuma ter bons resultados e os temas em que outras pessoas lhe pedem ajuda. Isto ajuda a identificar competências técnicas, comportamentais e transferíveis.

 

2. Defina um objetivo profissional claro

Depois de perceber o ponto de partida, é importante definir uma direção. O objetivo não tem de ser definitivo, mas deve ser suficientemente claro para orientar decisões. Pode passar por evoluir dentro da área atual, assumir uma função de maior responsabilidade, mudar de setor ou desenvolver uma especialização.

Por exemplo, em vez de definir apenas “quero crescer profissionalmente”, é mais útil formular um objetivo como: “quero evoluir para uma função de coordenação nos próximos dois anos” ou “quero transitar para uma área mais ligada à análise de dados”. Quanto mais concreto for o objetivo, mais fácil será perceber que competências, experiências e formações são necessárias.

 

3. Identifique as competências que precisa de desenvolver

Uma boa gestão de carreira exige comparar o perfil atual com o perfil necessário para chegar ao objetivo definido. Esta análise permite perceber quais são as principais lacunas: pode faltar uma competência técnica, experiência em determinados projetos, capacidade de liderança, conhecimento de ferramentas digitais ou até maior confiança na comunicação.

Nesta fase, é útil analisar descrições de ofertas de emprego, falar com profissionais da área ou pedir feedback a colegas, chefias ou mentores. O objetivo é perceber o que o mercado valoriza e o que ainda precisa de ser trabalhado.

 

4. Use a formação como ferramenta de progressão

A formação deve ser escolhida com base no objetivo profissional, e não apenas por interesse geral. Pode servir para entrar numa nova área profissional, aprofundar conhecimentos na função atual ou aumentar a empregabilidade através de competências mais procuradas.

Sempre que possível, dê prioridade a formações com componente prática, projetos aplicados, certificação reconhecida ou ligação direta a empresas e desafios reais. Uma formação em Power BI, por exemplo, terá mais impacto se permitir construir dashboards, trabalhar com dados reais e criar exemplos que possam ser mostrados em contexto profissional.

 

5. Procure experiências que comprovem a sua evolução

A progressão de carreira não depende apenas da formação. Também é importante acumular experiências que demonstrem as novas competências. Isto pode passar por participar em projetos internos, assumir novas responsabilidades, colaborar com outras equipas, desenvolver um projeto próprio ou construir um portefólio.

Por exemplo, uma pessoa que quer evoluir para marketing digital pode começar por apoiar a análise de resultados de campanhas, criar relatórios simples, acompanhar métricas de redes sociais ou desenvolver pequenos projetos que mostrem capacidade prática. Estas experiências ajudam a transformar aprendizagem em evidência concreta.

 

6. Tome decisões com base em dados do mercado de trabalho

Uma gestão de carreira sólida deve considerar não só os interesses pessoais, mas também a realidade do mercado. Antes de investir tempo e dinheiro numa nova área, é importante perceber se existe procura, que competências são mais valorizadas, que salários são praticados e que possibilidades de progressão existem.

Isto ajuda a evitar decisões baseadas apenas em perceções. Uma área pode parecer apelativa, mas ter poucas oportunidades ou crescimento limitado. Pelo contrário, áreas menos óbvias podem oferecer maior empregabilidade, melhores condições e maior margem de evolução.

 

7. Peça feedback e acompanhe a sua evolução

Gerir a carreira de forma isolada pode limitar a visão sobre o próprio percurso. O feedback de chefias, colegas, mentores ou profissionais da área pode ajudar a identificar pontos fortes, oportunidades de melhoria e caminhos que talvez ainda não tenham sido considerados.

Este acompanhamento pode ser informal, mas deve ser regular. Por exemplo, pode rever os seus objetivos a cada seis meses, avaliar que competências desenvolveu, que resultados conseguiu demonstrar e que próximos passos fazem sentido.

 

8. Reveja e ajuste o percurso ao longo do tempo

A gestão de carreira não termina quando se escolhe uma formação, uma função ou uma área profissional. O mercado muda, as competências exigidas evoluem e os interesses pessoais também podem alterar-se. Por isso, é importante rever o percurso com regularidade.

Essa revisão pode levar a pequenos ajustes, como fazer uma nova formação ou procurar projetos mais alinhados com os seus objetivos. Em alguns casos, pode significar mudar de função, setor ou área de especialização. O mais importante é que estas decisões sejam tomadas de forma consciente, e não apenas como reação a uma oportunidade ou dificuldade momentânea.

 

Cursos para desenvolver (ou atualizar) competências

Aqui ficam algumas sugestões de cursos que podem fazer a diferença na sua gestão de carreira.

 

Web Development and Coding – Ironhack

Este bootcamp é uma formação intensiva em desenvolvimento web, orientada para quem quer iniciar ou reconverter a carreira para a área tecnológica. Ao longo do curso, os participantes desenvolvem competências em JavaScript, React, Node.js e bases de dados, e aprendem a construir aplicações web completas (full-stack).

No final, os participantes ficam preparados para funções como Web Developer, Front End Developer ou Full Stack Developer, com um portefólio de projetos aplicáveis a entrevistas e processos de recrutamento.

 

Growth Marketing – Le Wagon

Este curso combina marketing digital, tecnologia e ferramentas de inteligência artificial. Ao longo da formação, os participantes trabalham competências ligadas a estratégia de marketing, análise de dados, automação e utilização de ferramentas no-code, aplicadas a contextos reais. O foco está na capacidade de testar, medir e otimizar campanhas, o que torna este curso particularmente relevante para funções ligadas a marketing digital e social media.

No final, os formandos podem desempenhar funções como Marketing Specialist, Social Media Specialist ou Marketing Assistant.

 

Junior Cybersecurity Analyst – Cisco Networking Academy

Este percurso formativo prepara profissionais para entrar na área de cibersegurança. A formação cobre temas como redes, segurança de sistemas, deteção de ameaças e fundamentos de proteção digital, com uma forte componente prática e orientada para certificação. Inclui ainda preparação em inglês técnico para IT, um fator cada vez mais relevante em contextos internacionais.

No final, os participantes ficam preparados para funções como Cyber Security Analyst, Network Support Specialist ou Security Technician, com a possibilidade de progredir para certificações reconhecidas na área.

 

Gestão de carreira com a NCN

Num mercado de trabalho em constante mudança, escolher a formação certa pode fazer a diferença na forma como cada pessoa evolui, se especializa ou prepara uma mudança profissional.

Na NCN, encontra formações disponibilizadas por entidades credíveis, pensadas para responder a diferentes objetivos de carreira, desde o desenvolvimento de novas competências à requalificação profissional ou à progressão dentro da área atual.

Ao reunir cursos de várias entidades numa só plataforma, a NCN ajuda-o a comparar opções, explorar áreas com procura no mercado e tomar decisões mais informadas sobre o seu futuro profissional.