- A escassez de talento tem custos reais nas empresas, com projetos adiados e perda de competitividade.
- Portugal enfrenta um desfasamento estrutural entre as vagas disponíveis e as competências de quem procura emprego.
- Profissões ligadas a tecnologia, cibersegurança e dados crescem mais depressa do que a formação tradicional consegue acompanhar.
- Modelos alternativos de ensino, como a Escola 42, respondem mais rápido a necessidades que o sistema educativo convencional ainda não cobre.
- Iniciativas como o Reskilling 4 Employment mostram como empresas, formadores e organismos públicos podem unir esforços para requalificar pessoas.
Há empresas portuguesas com dezenas de posições em aberto há meses. Ao mesmo tempo, milhares de pessoas continuam à procura de emprego.
Este desencontro entre oferta e procura de talento é o tema do primeiro episódio do videocast “Chief Talent Officer Cast” da NCN, dedicado a quem vive todos os dias os desafios da contratação.
No episódio “Mind the Gap: oferta e procura de talento”, juntámos três vozes que olham para este problema a partir de ângulos diferentes: Pedro Santa Clara, da Escola 42, Miguel Mota Freitas, da Fundação Belmiro de Azevedo, e Luz Pessoa e Costa, do IEFP.
A conversa mostra que o desfasamento entre o que as empresas precisam e o que o mercado oferece já não é uma exceção pontual. Tornou-se um padrão estrutural que atravessa setores tão diferentes como a tecnologia, a indústria e os serviços.
Profissões emergentes e o ritmo da mudança
Um dos pontos centrais do episódio é o constante surgimento de novas funções que não existiam há cinco ou dez anos. Áreas como a inteligência artificial, a cibersegurança e a análise de dados criam uma procura que as formações tradicionais demoram a acompanhar.
O resultado é visível nas empresas: perfis técnicos altamente disputados e processos de recrutamento que se arrastam durante meses sem sucesso.
Pedro Santa Clara traz para a conversa a experiência da Escola 42, um modelo de ensino que forma programadores sem propinas e sem aulas tradicionais, que aposta na aprendizagem entre pares e na resolução prática de problemas.
É um exemplo de como formatos alternativos de formação podem responder mais depressa a necessidades que o sistema educativo convencional ainda não cobre.
O impacto real nas empresas
A escassez de talento em Portugal, e no mundo em geral, não se tornou apenas num incómodo estatístico, está a ter consequências diretas na capacidade de crescimento das organizações, nomeadamente projetos adiados, equipas sobrecarregadas e perda de competitividade face a mercados onde a contratação é mais rápida.
Miguel Mota Freitas partilha dados da Fundação Belmiro de Azevedo que ajudam a dimensionar este impacto e a perceber onde as lacunas são mais críticas no mercado de trabalho português.
Reskilling 4 Employment: um modelo colaborativo
Uma parte importante da conversa foca-se em iniciativas como o Reskilling 4 Employment (R4E), que junta empresas, entidades formadoras e organismos públicos para requalificar pessoas em função das necessidades reais do mercado.
Luz Pessoa e Costa, do IEFP, explica como este tipo de modelo colaborativo pode funcionar como resposta concreta à escassez de talento, ligando quem procura trabalho a competências que as empresas efetivamente procuram.
Este é também o papel que a NCN assume neste ecossistema: ajudar empresas a encontrar novas fontes de talento e apoiar pessoas na requalificação.
Onde ver e ouvir o episódio?
Se lidera equipas de recrutamento ou quer perceber como preparar a sua empresa para os próximos anos, este é o ponto de partida da série. O primeiro episódio do Chief Talent Officer Cast está disponível no YouTube e no Spotify.
Nos próximos episódios do CTO Cast são aprofundados os desafios concretos das empresas na procura por talento qualificado e o verdadeiro papel do reskilling em Portugal.