A inteligência artificial está a mudar o trabalho e levanta uma dúvida concreta para quem procura emprego ou pensa mudar de carreira: que competências vale a pena desenvolver? A resposta depende da profissão que pretende exercer, das tarefas que terá de realizar e dos conhecimentos que já adquiriu ao longo do seu percurso.
Num artigo de opinião publicado no ECO, a 4 de setembro de 2026, Miguel Mota Freitas, administrador executivo da Fundação Belmiro de Azevedo e parceiro institucional do PRO_MOV, defende que a transformação do trabalho exige uma atenção maior à evolução das competências e à aprendizagem ao longo da vida.
Para quem procura emprego ou pondera mudar de carreira, esta reflexão levanta uma questão prática: como escolher o que aprender a seguir? Conhecer as competências exigidas nas funções que lhe interessam e reconhecer o valor da experiência que já tem, pode ajudar a escolher uma formação que faça sentido para o seu percurso.
O que está a mudar nas competências para o trabalho?
Segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Económico Mundial, os empregadores inquiridos esperam que 39% das competências essenciais dos trabalhadores mudem até 2030. Trata-se de uma previsão global sobre competências, que não corresponde à percentagem de empregos que poderão desaparecer.
Para avaliar o que isto pode significar no seu caso, comece pelas tarefas de uma função. Numa atividade administrativa, por exemplo, pode ser útil aprofundar a utilização de folhas de cálculo para analisar informação. No atendimento, poderá fazer sentido aprender a trabalhar com uma plataforma de gestão de clientes. São exemplos de necessidades que deve confirmar nas ofertas de emprego da área que lhe interessa.
Este exercício permite definir uma prioridade concreta de aprendizagem, em vez de escolher um curso apenas porque uma tecnologia ganhou destaque.
Que competências desenvolver na era da inteligência artificial?
O relatório do Fórum Económico Mundial identifica a IA e os grandes volumes de dados, as redes e a cibersegurança e a literacia tecnológica como as competências com crescimento mais rápido esperado até 2030. O pensamento analítico mantém-se como a competência central mais referida pelos empregadores, ao lado de soft skills e capacidades como a resiliência, a flexibilidade e o pensamento criativo.
A escolha do que aprender deve ter em conta o seu objetivo profissional, e para organizar essa decisão, considere três dimensões complementares:
1. Conhecimentos técnicos ligados à profissão
Identifique o que precisa de saber fazer para exercer a função pretendida. Compare programas de formação com anúncios de emprego e procure correspondências entre os conteúdos do curso, as ferramentas utilizadas e as tarefas descritas pelas empresas. Se uma função exigir uma qualificação específica, confirme se o percurso formativo permite obtê-la.
2. Literacia digital e utilização criteriosa da IA
Defina uma tarefa concreta que gostaria de aprender a executar com maior autonomia, como organizar dados ou preparar um primeiro rascunho de uma apresentação. Se recorrer à IA, inclua a revisão do resultado no exercício: confirme a informação, procure omissões e avalie se a resposta serve o objetivo. Aprender a identificar um erro é uma parte importante da prática.
3. Comunicação e resolução de problemas
Prepare exemplos que mostrem como utiliza estas capacidades. Pode descrever uma situação em que esclareceu uma dúvida de um cliente, organizou o trabalho de uma equipa ou resolveu um imprevisto. Em cada exemplo, explique o problema, a sua intervenção e o resultado.
Atualizar competências ou preparar uma mudança de profissão
O upskilling consiste em aprofundar ou atualizar competências para evoluir na área em que já trabalha. Já o reskilling, ou requalificação profissional, centra-se na aquisição de competências para exercer uma função ou profissão diferente.
Por exemplo, um profissional de marketing que aprende a analisar dados de campanhas está a aprofundar competências na sua área. Uma pessoa que trabalha no comércio e inicia formação para exercer uma função de apoio na saúde prepara uma mudança de profissão. São apenas exemplos ilustrativos, o percurso adequado depende dos requisitos de acesso e das exigências de cada função.
Antes de escolher, clarifique o que pretende mudar: as tarefas do dia a dia, a área de atividade, o horário ou as possibilidades de progressão. Esta distinção ajuda a perceber se precisa de formação complementar ou de um percurso de requalificação mais alargado.
Como escolher uma formação com um objetivo profissional claro
A comparação entre cursos torna-se mais útil quando parte da mesma pergunta: o que poderei fazer no final desta formação e em que funções poderei aplicar o que aprendi?
- Defina a função que pretende explorar. Leia várias ofertas de emprego e anote as competências, qualificações e condições de trabalho que se repetem.
- Reconheça o que já sabe fazer. Relacione a sua experiência com os requisitos dessas ofertas e identifique os conhecimentos que precisa de adquirir.
- Analise a componente prática. Verifique se o curso inclui exercícios, projetos ou formação em contexto de trabalho que permitam aplicar os conteúdos.
- Compare as condições de frequência. Confirme os requisitos de acesso, a duração, o horário, a localização ou o formato, os custos e eventuais apoios.
- Esclareça a ligação ao emprego. Pergunte quais são as saídas profissionais, que apoio existe na procura de trabalho e a que período e grupo de formandos se referem os resultados de empregabilidade apresentados.
No final desta comparação, deverá conseguir explicar por que motivo um curso se adequa ao seu objetivo e à sua disponibilidade. Se essa relação ainda não for clara, reúna mais informação junto da entidade formadora antes de avançar.
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Na NCN, pode explorar oportunidades de formação de entidades parceiras, entre as quais o PRO_MOV, e conhecer percursos que podem apoiar uma mudança profissional. Comece pela área que lhe interessa e consulte as condições de cada formação para perceber se correspondem ao que procura.
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Leia a entrevista completa de Miguel Mota Freitas, no Eco.